Protesto suspende desfile em Maceió

Sem-terra, sindicatos e estudantes se infiltraram no evento de 7 de Setembro

Atualizada às 11h21
Cerca de 300 integrantes de movimentos Sem-terra, partidos político, sindicatos e estudantes se infiltraram no desfile de 7 de Setembro, que acontecia na Praia da Avenida na manhã deste sábado, e acabaram encerrando o evento ainda na metade. Eles estavam concentrados em frente ao Clube Fênix e entraram durante apresentação da Polícia Militar.

A policia tentou fazer uma barreira com a viatura, mas de nada adiantou. Os manifestantes do movimento que se intitulou "Grito dos Excluídos" ultrapassaram o bloqueio. O protesto tinha bandeiras inúmeras: reforma agrária, moradias populares, melhoria salarial, entre outras.

O Bope e a Polícia Militar fizeram dois cordões para tentar garantir a continuidade do desfile, mas o protesto seguiu em frente.

O comandante do Bope, coronel Ítalo Hermes, tentou negociar com os manifestantes e com o diretor da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Izac Jacson. Sem acordo, o desfile de 7 de Setembro terminou por volta das 10 horas, antes do programado.

A estimativa é que mil pessoas deixaram de desfilar neste sábado. Não entraram na avenida as apresentações do Batalhão de Polícia Ambiental, do Instituto do Meio Ambiente, dos escoteiros e dos alunos da escola da Polícia Militar.

Izac disse que os manifestantes queriam ter o direito de desfilar passando pela avenida após as escolas. “É um direito nosso e a polícia tentou impedir. Tem trabalhadores, estudantes e diversas classes sindicais, além de crianças participando da nossa manifestação”, protestou.

O final do desfile foi anunciado por volta das dez horas da manhã no palco principal onde estava o governador Teotonio Vilela junto com outras autoridades. Já haviam passado pela avenida as tropas do Exército, Marinha, Aeronáutica, Corpo de Bombeiros e o Batalhão de Operações Especiais (Bope). O protesto avançou quando o pelotão da Polícia Militar e da Polícia Civil entrou na avenida.

Antes do desfile, Viela foi questionado sobre a possibilidade de ocorrerem manifestações durante o evento. Ele afirmou que achava importante a população protestar e que era um direito de todos.

“Hoje é dia de festa, de comemorar a democracia. Acho que todos tem o direito de protestar e isso até ajuda que nós possamos ver as demandas da população”, declarou.

Após ser anunciado o cancelamento oficial, ele deixou o local sem falar com a imprensa.

Os manifestantes abriram espaço para que escoteiros ambientais desfilassem mesmo com o desfile já ter sido cancelado e boa parte do público já ter deixado as arquibancadas. No final, os manifestantes desfilaram pela avenida de forma pacífica.

Quem estava assistindo ao desfile reclamou do protesto. A aposentada Leane da Silva, de 59 anos, assiste todos os anos o desfile do dia 7. Fazendo coro com boa parte da plateia, ela reclamou do cancelamento.

“Saí de casa logo cedo para ver o desfile e fui surpreendida com um protesto, que acabou com o desfile na metade. Vou para casa chateada esse ano”, disse.

Gilsa Ferreira só assistiu a 15 minutos do desfile. Ela chegou atrasada e só conseguiu ver os manifestantes passando pela avenida. “Eu queria ter assistido o desfile. Trouxe meu filho para ver as tropas, mas acho que todo mundo tem o direito de protestar”, afirmou. 

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