Travesti torturada e espancada em Maceió se recupera após cirurgias

Vítima precisou pôr pinos na perna esquerda e teve glande amputada.
Comissão de Direitos Humanos da OAB pede punição rigorosa.

É considerado estável o estado de saúde da travesti torturada e espancada na madrugada deste sábado (17), no conjunto Cruzeiro do Sul, parte alta de Maceió. De acordo com a assessoria do Hospital Geral do Estado (HGE), a vítima, conhecida como "Babá", foi submetida a três procedimentos cirúrgicos e se encontra em observação.

O hospital informou que um dos procedimentos foi para a remoção da glande, que havia ficado comprometida após a vítima ter parte do pênis cortada pelos agressores. Ela ainda precisou colocar pinos na perna esquerda, onde sofreu fratura exposta, e teve o ferimento provocado na cabeça suturado.

Dois homens foram presos em flagrante suspeitos no crime. 

A polícia encontrou a vítima jogada em uma fossa nos fundos da casa de um dos suspeitos após receber uma denúncia dos vizinhos, que ouviram gritos. Eles foram autuados por tentativa de homicídio e serão encaminhados para a Casa de Custódia.
OAB repudia agressão

Para o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Daniel Nunes Pereira, esse episódio é lamentável, e está se tornando cada vez mais comum no estado. "As pessoas, e não somente as vítimas desse tipo de crime, estão fazendo denúncias com mais frequência. Os autores destas práticas violentas devem ser punidos com rigor".

Ainda segundo Nunes, esse caso se assemelha a outros ocorridos anteriormente em Alagoas, como o do professor universitário José Luz Neiva, 52, morto no fim do ano passado por um homem com quem mantinha um relacionamento, e o do vereador pelo município de Coqueiro Seco Renildo José dos Santos, morto em casa por três homens que justificaram o crime alegando que a vítima era homossexual.

"Infelizmente, Alagoas está no topo do ranking de crimes de homofobia. Nesse caso da travesti, houve não somente a agressão física, mas também simbólica, com o fato de seu órgão genital ter sido cortado. A Comissão de Direitos Humanos vai acompanhar essa história de perto", conclui Nunes.

Fonte G1 AL

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